quinta-feira, 9 de junho de 2011

MINHA MORADA

Mora em mim


uma moça antiga

de longas vestes

recatados modos

e um segredo insondável.





Habita em mim

o retrato quase apagado

o bilhete manuscrito

a palavra em desuso.





Dorme em mim

o amor de ontem

que espera flores

enleios e distancias

muitas lembranças.





Vive em mim

a moça quieta

esperança desfeita

sorri chorando

mente em poesia

e inventa uma vida.

POEMAS













Afiando as unhas


para riscar teu coração

usando meias finas

para pisar sobre teus olhos

perfume sofisticado

para encobrir teu cheiro

de morte.

PALAVRAS DO CORAÇÃO

Desenhando palavras voláteis

sem nexo ou regra,

pensando em poesia certeira

flecha riscando os ares,

se escreve partidas

também contam histórias,


tão belas intensas

nos mares de dentro

afogam em suores

sentimentos gemidos

esquecimentos,


voltam com força e ritmo,

para se moldarem

ao teu abraço teu afago

teu corpo que encaixa

no meu poema,

inflama rimas incendeia

minha pele...

MINHA ALMA VIAJA, VIAJA EM LUGARES ONDE SÓ O PENSAMENTO TEM ACESSO!!!!

Quando tua boca



desliza sobre meu corpo


minha alma calça sapatilhas


para acompanhar


a coreografia.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

"A Formiguinha e a Neve"

A Formiguinha e a Neve"



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A formiguinha e a neve


João de Barro (Braguinha)



Numa certa manhã de inverno uma formiga saía para o seu trabalho diário.

Já ia longe procurar comida quando um floco de neve caiu, prendendo o seu pézinho.

Aflita, vendo que ali poderia morrer de fome e frio, a formiga olhou para o Sol e pediu:

- Sol, tu que és tão forte, derreta a neve e desprenda o meu pézinho?

E o Sol, indiferente, respondeu:

- Mais forte que eu é o muro que me tampa.

Então a pobre formiguinha disse:

- Muro, tu que és tão forte, que tampa o Sol, que derrete a neve, desprenda o meu pezinho? E o muro rapidamente respondeu:

- Mais forte que eu é o rato, que me rói.

A formiga, quase sem fôlego, perguntou:

- Rato, tu que és tão forte, que rói o muro, que tampa o Sol, que derrete a neve, desprenda o meu pézinho?

E o rato falou bem rápido:

- Mais forte que eu é o gato que me come.

A formiga então perguntou ao gato:

- Tu que és tão forte, que come o rato, que rói o muro, que tampa o Sol, que derrete a neve, desprenda o meu pézinho?

O gato responde sem demora:

- Mais forte que eu é o cachorro, que me persegue.

A formiguinha estava cansada e, mesmo assim, perguntou ao cachorro:

- Tu que és tão forte, que persegue o gato, que come o rato, que rói o muro, que tampa o Sol, que derrete a neve, desprenda o meu pézinho?

- Mais forte que eu é o homem, que me bate.

Pobre formiga! Quase sem força, perguntou ao homem:

- Tu que és tão forte, que bate no cachorro, que persegue o gato, que come o rato, que rói o muro, que tampa o Sol, que derrete a neve, desprenda o meu pézinho?

O homem olhou para a formiga e respondeu:

- Mais forte que eu é Deus, que tudo pode.

A formiga olhou para o céu e perguntou a Deus:

- Tu que és tão forte que tudo pode, desprenda o meu pézinho?

E Deus, que ouve todas as preces pediu à primavera que chegasse com seu carro dourado triunfal enchendo de flores os campos e de luz os caminhos, e vendo que a formiga estava quase morrendo, levou-a para um lugar onde não há inverno e nem verão e onde as flores permanecem para sempre.